Nessa época eu tinha acabado de fazer 18 anos, e não podia beber porque tomava religiosamente o fodido Roacutan pras espinhas herdadas do meu pai. Mas isso foi bom praquela noite, pois eu sabia que meus amigos todos iam beber, fazer merda pra caralho e não lembrar de nada no dia seguinte, de modo que das próximas vezes que a gente se encontrasse eu teria minhas histórias pra contar, tudo de forma lúcida e detalhada. E foi isso o que aconteceu na casa daquela coroa que a gente conhecia brevemente das histórias do Eduardo, cunhado do Fernando, meu chapa. Junto com Túlio, os três namoravam três irmãs cabecinhas-ocas dali do bairro.
Bom, essa noite estávamos no Santana lotado, emprestado pelo sogro (apelidado pela gente de “Fanho”, porque de fato era fanho) do Túlio, que dirigia. Ficamos por volta de meia hora parados depois de levar um enquadro da polícia, pois o Fernando inventou de zoar os coxinhas ligando a luz do carro e batendo o cartão em cima da carteira, como se arrumase uma carreira de farinha – quando a barcona passou, jogou o farolete e começou a berraria na hora; foi engraçado ver a cara dos PMs quando não encontraram nada, apesar de terem embaçado pra caralho pra cima do Carlos, que é preto – todo o resto, bom, na visão dos PMs, apenas um bando de boyzinhos caucasianos estudantes e bem-encaminhados pelos valores familiares da classe média paulistana.
Depois de quase cada um descer do carro desistindo de qualquer coisa por falta de opção, já quase à uma e meia da madruga, o Eduardo disse que poderíamos ir na casa da tal Nina, a coroa. Carlos foi o que ficou mais empolgado e até pediu o celular pra ligar, pois tinha fetiche por coroas – não balzacas, coroas mesmo, dos quarenta pra cima. Eduardo ligou, mas ela não atendeu – que fazer? Bora pra casa dela, bater na porta e esperar algo, afinal, o que a gente tinha a perder? – porra de nada.
Nina morava numa rua paralela à avenida Indianápolis, conhecido reduto travestístico do submundo paulistano – e todos pensamos: se não der certo, podemos ao menos zoar com as putas e os travecos e quem sabe arrumar algo pra não passar a noite batida. Chegmos à casa, Eduardo desceu do carro e disse pra gente ficar nele, pois não era pra Nina ver quantos amigos ele estava trazendo – era uma tática: “Fala, Nina, beleza? Tava passando aqui com uns amigos meus e decidi passar aqui pra ver como você tava” – puta papo-furado, mas como ela era mó vadia, segundo o Eduardo, ela entenderia o pragmatismo duma conversa fiada que nem essa e não se ofenderia. Eduardo desceu, tocou a campainha e esperou – nada. Depois de mais uma tentativa, desistiu e voltou pro carro. Decidimos comprar cerveja no Pão de Açúcar ali próximo, tentar ligar mais uma vez e passar lá na volta.
Quando estávamos indo, passamos por alguns travestis e Carlos ficou ainda mais empolgado, disse que o legal de comer um travesti é que quando ele tá pra gozar, ele aperta o cu e o gozo do cara que tá socando no traveco fica mais foda ainda. “Parece que a porra vem lá do final da espinha, tá ligado? Ceis tem que ver que da hora”. Quando chegamos no mercado, tinha um Golf vermelho zeradão e sem placa parado com duas vadias cavalonas próximas dele – todos pensamos que eram putas, claro, mas não estavam vestidas de forma vulgar nem nada, então consensualmente decidimos não mexer, pois vai saber que porra essas mulheres são, com quem estão e tudo mais. Porém, o Eduardo, que havia entrado no grupo há pouco tempo (apenas por namorar uma daquelas irmãs), não era safo e não manjava das nossas manhas, do nosso tipo de humor e tudo mais; como todo novato, queria mostrar aquilo que não era pra se encaixar, fazer coisas da hora pra que a gente aceitasse ele no grupo normalmente; sendo babaca desse jeito, ele sempre extrapolava alguns consensos do grupo – e nesse momento não foi diferente: começou a chamar as minas de gostosas, chamando elas prum rolê e coisas assim. Quando pra entrada do mercado, havia dois caras, tipos boyzão bombadinhos, cabelo espetado de gel, correntinha no pescoço, calça e camisetinha polo Lacoste apertadinhas, Nike Shox no pé – aqueles brancos babacas que curtem pagode e namoram minas vadias que geralmente fazem faculdade de turismo – pareciam irmãos de tão iguais que se vestiam, os ridículos. Começaram a encarar a gente d elonge, e não arredaram pé quando a gente passou por eles. Foi então que Eduardo, babaca como ele só, quis se aparecer de novo: começou a falar pros caras que se os caras quisessem, ele tinha “pra trocá”, entre outras coisas – os caras não disseram nada e só andavam pra lá e pra cá, seguindo a gente lentamente pelas cabeceiras dos corredores. Fernando, puto como só ele, decidiu que a gente não ia comprar nada porque ia arrumar briga com os caras – falou pra gente sair de dois em dois depois que ele passasse pelos caras, pois aí as câmeras mostrariam que foram os caras que foram pra cima dele, um só, querendo briga, caso todo mundo fosse pra DP. Ele saiu, peito estufado e com aquele andar meio ridículo dele. Passou pelos dois playboys, que não disseram nada. Então quando foram passar o Carlos e o Eduardo, os caras falaram alguma coisa pro Eduardo, o Fernando voltou na hora, já preparado pra briga – todos nós de imediato fizemos uma rodinha nos caras, mas quando todo mundo percebeu que os dois eram namorados ou sei lá que porra das duas minas do Golfão vermelho, o Eduardo perdeu a razão – e ninguém tinha vontade de defender o babaca – pela cara do Fernando dava pra perceber que ele arrumaria briga de graça e sem motivo, brigaria por prazer apenas, mas de forma alguma brigaria pra defender o Eduardo, que a essa altura se defendia dum jeito todo malandrão. Foi então que um dos caras, o mais velho, disse: “Você não tinha dito um barato aí que se quisesse ce tinha pra trocá?”. Ao que o Eduardo disse: “Velho, eu tenho pra trocar com qualquer um, basta me dar motivo”. O cara: “Ce troca cuma dessas então?”, tirando na mesma hora da cinta uma Glock pretona – todos olham pro Eduardo: pretificado, o trouxa, começou a cagar de medo e gaguejar, pedir desculpas. Então o cara deu um conselho pra ele: “Nós dois somos da Civil, tá vendo? Então a gente sabe com quem a gente lida, por isso que tô te dizendo pra se cuidar, porque se é um maluco cheirado aí, um traficante ou qualquer merda, ele te dá uns pipocos aqui no mercado mesmo e foda-se, tá ligado?”. Beleza, beleza – depois de várias desculpas, entramos no carro e fomos embora sem cerveja nem nada. Na volta, o Eduardo, querendo mais uma vez demonstrar ser fodão, começou a se gabar: “Os caras eram mó otários, cê viu ele sacando a Glock? E se eu quisesse pegar da mão dele ali na hora e meter o ferro na cara dele? O maluco nem sabe segurar uma arma” – ninguém deu um piu. Não vendo resultado, ele começou a zoar com os travestis pra ver se a gente achava graça. O Carlos pediu pra gente parar perto de um, como que dando um toque pra gente que ele queria ver como o Eduardo ia lidar com aquilo, se ele manjava das coisas. O travesti chegou perto do carro, Eduardo estava no passageiro e começou a conversar com o traveco: “Nossa, linda, quanto fica a diversão comigo e meus amigos aqui?” – e nessas e tal até que ele estranhamente começa a tentar levantar a saia do travesti que, chegando mais perto, deixa ele inclusive passar a mão no pau dele e tentar levantar a calcinha e tudo mais. Todo mundo se olhou dentro do carro, pensando que porra era que o Eduardo tava fazendo tentando massagear um caralho. Foi quando sacamos na hora: Eduardo tava achando que a porra do traveco era uma puta. Começamos a zoar na hora, sem perdão – definitivamente, ele era um cabação que não manjava de nada.
Voltamos à casa de Nina e repetimos o procedimento – dessa vez foi a porta da varanda que se abriu, saindo de lá uma mulher de roupão branco, com cabelo liso, estilo channel, com luzes claras. Trocou algumas palavras com o Eduardo e disse que ia se trocar para descer e abrir a porta. Nisso todos já tínhamos saído do carro ao sinal do Eduardo e aguardávamos na porta. Ela abriu a porta, nos cumprimentou e trocou algumas palavras com o Eduardo – foi então que, indiretamente, questionou o que queríamos ali – comer a boceta dela, diriam todos – “Ah, apenas conversar, tomar alguma coisa…”. OK, disse ela, mas cadê as bebidas? Foi então que voltamos ao mercado. Durante o caminho todo, comentários sobre nossa anfitriã. “Caralho, ela é velha pra porra”, eu disse, ao que fui logo tolhido da minha liberdade de opinar, pois eu sempre fazia isso de forma desmotivacional, o que equivale a dizer que os forçava a enxergar a verdade: que ela era uma coroa solitária, rancorosa e estranha e, o mais importante, descuidada. Eu exagerava um pouco, claro, mas se ela tinha duas filhas, segundo o Eduardo, que provavelmente estavam lá também, por que motivo se focar numa coroa mais rodada que uma puta velha? Mas eles não compartilhavam da mesma visão – diziam que iam tentar, especialmente o Carlos, que a essa hora já devia estar com porrilhões de pensamentos vagando entre os nervos do pênis e da espinha dorsal.
Nossa entrada foi permitida mediante o pedágio de um engradado de Bohemia (eles queriam impressionar), uma vodka Natasha, um suco Ades de laranja (para mim, que não podia beber) e alguns pacotes de Doritos – pensamos ser um grande investimento, mas o pior era ser um investimento de alto risco, pois nada dava a entender, ao menos pra mim, que a coroa liberaria pra todos ali na casa dela, assim de surpresa, àquela hora da madruga.
Ela foi perguntando um pouco de cada, se interessando pelo Fernando, logo de prima, que sentava-se ao lado dela num sofá de dois lugares – o Eduardo ela já conhecia: trabalhava como supervisor de telemarketing daquelas iorguteiras que eram vendidas pela TV pra coroas de classe média que nem ela. Fernando: trabalhava numa farmácia, cursava técnico em farmácia (só pelas vadias do curso, que deixou depois do segundo semestre, quando começaram matérias de fórmulas) e só. Carlos: ela se interessou pelo nego, que ainda tava no quartel. Túlio: trabalhava na padaria do pai, o Manoel – e eu, que não fazia porra de nada logo após ter saído do quartel e passava o dia a ler Henry Miller e uma porrada de outras merdas encontradas em sebos, me masturbar, fumar e esperar pelo Fernando para beber e comer algumas esfihas quando ele voltava do serviço.
Túlio estava sentado no braço do mesmo sofá que Nina, que vestia uma blusa leve de alça sem sutiã, uma calça cargo e sandálias rasteiras. Na cadeira ao lado, transversalmente, estava Carlos, pomposo, e na cozinha logo ali ao lado da sala estava o Eduardo, que colocamos como nosso serviçal para preparar caipirinhas e outras coisas. Eu estava sentado num pufe verde usando uma peruca (que na verdade era uma touca bem tosca) do Carlos – ela parecia um black-power loiro. Nina achou engraçado, mas se preocupou por eu ser o único a não estar bebendo e ser o mais calado. Começou com uma introdução estranha: “Você tem ascendência de algum povo da região do Oriente Médio ou do editerrâneo, Allan?”. Claro que não, respondi. “É que você tem traços parecidos e não bebe e tal, de qual religião você é?”. Ateu. “Hm, mas eu acho, assim pelo seu jeito, que você teve uma educação machista, não é? Você tá aí quietinho…”. “Ah, ele é assim mesmo”, respondeu o Túlio. “Entendo… mas acho que ele tá estranhando que uma mulher converse assim com vários caras, não é?”. Foi então que eu quase respondi que não, não, sua vaca, eu só tô quieto, caceta, sem beber – isso faz de mim um machista?
Bom, ela desencanou de mim quando voltou a questionar Carlos sobre coisas da caserna, como era o dia-a-dia dele naquele antro de viados, segundo a visão dela. Ela reforçou que conhecera caras que só subiram de patente nas forças armadas depois de terem liberado o cu pros altos escalões da exemplar hierarquia dessas instituições – era uma visão interessante. Carlos então disse que não pretendia continuar no exército, que estava, de fato, já procurando outras coisas. O quê? Ser garoto de programa ou ator de filme pornô – ele tinha um bom biotipo (citou de cabeça os vários lançamentos do entretenimento adulto onde só rola loirinha com negão) e que só lhe faltava um pouco de motivação. Todo mundo riu, claro, mas queríamos ver até onde ele levaria o papo. Enquanto isso, Túlio, que se apoiava no braço do sofá e no balcão que divisava a sala da cozinha, deixou estrategicamente próximo dele a garrafa de tequila, com a qual enchia as latinhas que Dona Nina largava no mesmo balcão, disfarladamente, pacientemente, sem alarde, pois se ela percebesse qualquer variação degustativa em suas papilas, já era; ela pararia de beber e nada mais de estratégia para facilitar a introdução ao felácio.
Ela de fato ficou um tanto quanto impressionada com as ideias de Carlos. A verdade é que ele só estava falando o que ela queria ouvir. De fato, muitas vezes ele já havia me passado essa ideia de que para se conquistar a simpatia de uma mulher, basta que se diga apenas o que ela queira ouvir – não confundir isso com declarações ou melação, mas realmente acatar a visão de mundo dela. Se ela diz que filhos são uma bosta, por mais que você ache bonito, diga que é realmente uma droga essas crianças catarrentas e chatas e tudo mais e ganhe, cada vez mais, a possibilidade duma foda grátis e casual, e depois, pé na bunda, nega.
Ela então começou a se soltar, talvez pela vodka barata misturada à breja, e começou a dizer que se arrependia de ter tido as filhas e se casado, que se fosse jovem, seria puta mesmo; e que estão certas essas garotas que fazem prigrama, ganham a graninha delas para comprar o carrinho, pagar a faculdade, fazer contatos pra arrumar um bom trampo e ficar sussa, sem se preocupar com dívidas e o caralho a quatro que a atormentava àquela época. Ela trabalhou durante um longo tempo numa imobiliária, agora cuidava de terceiridosos ricos e bem-aposentados dali da região – ganhava uma boa grana, mas lidar com Alzheimer e o caralho todo dava no saco dela. Concluiu fazendo um bom discurso de motivação para o plano de carreira do Carlos. A esse ponto já estava alta, porém percebia quando o Túlio lhe passava o braço cheio de intimidade e volta de seu pescoço, tirando-o com bufadas e algumas indiretas que de forma alguma desestimulavam o Túlio, mas ao mesmo tempo alta o suficiente pra não perceber o Fernando a zoar – ele fazia encenações fingindo que ia colocar a língua na orelha dela, encoxando, fingindo que dava tapas na bunda dela, como se ela fosse uma puta, fingindo que pegava o cabelo dela pra ela fazer um boquete e tudo mais – eu, que estava logo de frente, não me segurava de tanto rir.
De repente, desce pelas escadas um cara novão, todo bombadinho, sem camisa – todo mundo se olhou em choque. Mas que porra era aquela? Até que ela nos apresentou o cara: era o namorado de uma de suas filhas. Todos relaxamos. Depois disso, quando ela já estava bêbada, desceu uma das filhas dela, toda bagunçada a criatura, devia ter acabado de trepar com o cara e estava morrendo de sede – acho que perdi a conta dos copos d’água que ela bebeu. Na hora, porém, bateu um peso na consciência pelo fato da mãe dela estar daquele jeito, bebaça. Imagine, ela podia ser uma vadia, a Dona Nina, mas ali era uma casa de família – com que direito entramos numa casa de família com a intenção de embebedar e foder uma senhora debaixo do nariz de seus familiares? Foda-se, pensamos todos, e continuaram as tentativas: a essa altura ela já havia largado a cerveja e apenas fumava – já estava tão fora de si que sequer percebia quando o Túlio lhe enlaçava com o braço e pelo lado do pescoço descia a mão até seus seios. Foi então que eles se tocaram que ela não ia fazer nada, que devia estar assustada pelo número e que devíamos usar outra estratégia: ficavam dois de cada vez na sala – outro ia ao banheiro e outro ficava na cozinha, talvez dessa forma desse pra dar uma ideia e traçar a coroa. Eu fui ao banheiro, e isso foi tempo o suficiente para tudo virar uma zona. Felizmente não vi uma cena de sexo, felizmente. O barulho todo vinha da cozinha, na sala ainda estava o Eduardo, com a mão em volta do pescoço dela, tentando convencê-la. Fui até a cozinha, mas não cheguei à metade do caminho e quase caí no chçao de tanto de contorcer de rir: Túlio comia com uma das mãos todo o conteúdo de uma panela de pressão, que parecia conter uma mistureba de arroz, feijão e carne – quando perguntei a ele por qual motivo ele estava fazendo aquilo, eles respondeu de boca cheia: “Tô co mó fome”. Carlos estava com a garrafa de tequila, achei que estivesse enchendo um copo, mas quando olhei melhor, segurando um pouco a risada, vi que se tratava de um pote de vidro de conservas – ele derramou um pouco da vodka dentro da conserva e a colocou de volta na geladeira, quase deixando cair, tentando segurar a risada pra não fazer alarde. Ao mesmo tempo ouvi um pote de vidro cair, e Nina dar um berro da sala, mas sem aparecer – era o Fernando que, querendo surrupiar um pote de Nutella, a deixou cair por dentro da calça, mesmo assim não desistiu e a colocou de volta no bolso junto com dois pacotes de bolacha que encontrou no armário. Carlos continuava a preencher potes e embalagens diversas com a vodka; dessa vez era um pacote de batata-palha, que ele fechou com um pregador. Eu ria tanto que a barriga parecia que ia explodir, tanto que decidi voltar pra parte da cozinha que ficava junto à sala, me apoiando no balcão. Fiz a besteira de voltar na parte escondida da cozinha só pra ver o Fernando mijando dentro do fogão e Carlos derramando o resto da vodka no filtro de água. Desisti, não dava mais pra rir, eu ia ter um ataque cardíaco, decidi abrir a porta da sala e voltar pro carro, rindo pelo meio da rua como um retardado. Túlio me acompanhou, se apoiou no capô, rindo, rindo como a gente nunca tinha rido. Pedi a chave pra ele – então ele disse que ia voltar, eu não, eu ia ficar no carro. Carlos saiu também, veio até mim, descansou e voltou também, dizendo que ia tentar uma última vez.
Deitei no banco de trás, de modo a me esconder de qualquer viatura que passasse por ali. Depois daquilo tudo, o que nos restou foi um pote quebrado de Nutella e um pacote de bolacha. Deitado no banco daquele carro, lembro que acompanhei calmamente, ao que parece ter durado uma eternidade, um avião passando lento e se perdendo entre as folhas da árvore e o azul escuro do céu.